|
PLANEJAMENTO
URBANO / CIDADE E PIZZA
DEDICATÓRIA:
Este texto é dedicado ao sr Walter Mancini (empresário
da Pizza-SP), que fala sempre da cidade e cita a passagem bíblica
da multiplicação e divisão dos pães,
associando a pizza a esta idéia de ser ela o primeiro pão
do homem.
Cidade
virtual - Disneyland
A voracidade com que o usuário do centro ataca o tecido urbano,
vem corroendo a qualidade da Cidade Real e banalizando o consumo
dos espaços públicos. Alterações urbanas
levaram o centro histórico de cidades modernas a desenvolverem
atividades diversificadas, jogando a cidadania para segundo plano.
Jamais poderemos deixar de entender a qualidade de vida, buscando-a
incansavelmente, e cobrando da administração pública
e de todo o setor produtivo a preservação do meio
ambiente urbano.
METRÓPOLES
Em 2.025: Haverá 26 metrópoles com mais de 10 milhões
de habitantes; 4 delas estarão localizadas no hemisfério
norte, ou seja, no 1º Mundo, 22 estarão no hemisfério
Sul.
MEGACIDADES
São Paulo – Será uma das MEGACITIES, mas não
será uma cidade Global, por não representar influência
na produção internacional, portanto será de
Segunda categoria, por apresentar problemas graves e de grandes
proporções.
Matemática urbana / A CIDADE COMO UMA
PIZZA
Para se entender o planejamento de uma superfície,
é fundamental o critério de distribuição
da terra e dos benefícios urbanos. Podemos dizer que os serviços
públicos ainda privilegiam os ditos setores produtivos, cuja
arrecadação vem caindo ao longo dos anos no ranking
da receita dos municípios. A conscientização
ambiental avança no direito à cidade e ao acesso à
terra, de forma democrática e participativa, reinventando
a parcela justa de terra para cada cidadão. Quinhão,
Sesmarias, Capitanias Hereditárias, Parcelamentos, lotes,
Cidades e quadras, foram sempre fórmulas adotadas para a
distribuição do solo, das funções sociais
e produtivas destinadas a sociedade.
PLANEJAMENTO
E PIZZA
Como
dividir a pizza e distribuir os percentuais, com parcimonialidade
e justiça?
Poderemos
começar por parcelar a superfície na ordem de importâncias,
sociais, produtivas, ambientais, institucionais e culturais, o objetivo
principal será sempre a coletividade e a qualidade de vida.
Atribuir percentuais às funções já estabelecidas
será uma tarefa delicada, mas não impossível.
Se pensarmos a cidade como uma PIZZA, poderemos começar a
parti-la em igualdade, avaliando a distribuição dos
pedaços conforme a atribuição de cada função.
Deveremos refletir que por muitos anos o Poder Produtivo, vem ditando
as regras na hora de partilhar a pizza, onde a sociedade acaba sempre
por disputar as migalhas que sobram. Em havendo predisposição
de todos os seguimentos, principalmente dos administradores e dos
agentes negociadores da terra, poderemos parcelar a superfície
de forma democrática e respeitosa para com o meio ambiente;
assim distribuídos:
RESIDENCIAL
- 45 % - Poderemos
admitir que o proprietário original da terra será
sempre o homem enquanto morador e usuário da superfície
e que a este pertence todo o direito de ir e vir, quando bem entender.
Poderemos ainda agregar algumas funções peculiares
de preservação ambiental, como garantia de vida para
a espécie, como a solução para os resíduos
gerados na sociedade e por fim como uma distribuição
democrática e irrestrita socialmente. Se estabelecermos que
50 % da superfície será reservada para a função
morar, ficará mais fácil a distribuição
dos outros pedaços.
REPARTINDO
A GRANDE PIZZA
RESIDENCIAL.................................................
45 %
LIXO NÃO INDUSTRIAL............................... .......5
%
INDÚSTRIA....................................................
..10 %
COMÉRCIO E SERVIÇOS..............................
...10 %
LAZER CULTURAL E TURISMO..................... .....5 %
INSTITUCIONAL............................................ .....5
%
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, .............. ..........20
%
INDÚSTRIA - ....................................................10
%
Para a produção e toda a transformação
da matéria prima, bem como a demarcação dos
territórios de captação da mesma, deveremos
reservar 10%, como sendo um território generoso para o desenvolvimento
sócio econômico regional, que poderá expandir
seu território apenas com a otimização e racionalidade
da produção, não demandando de superfície
para a exploração das riquezas naturais ou como reserva
estratégica de áreas para a especulação
e acumulação de riquezas, além destas já
reservadas. Salvando-se a classificação dos diversos
setores produtivos quanto ao incômodo ao meio, o percentual
adotado será sempre o máximo admitido dentro da área
urbana. Caberá sempre a indústria assumir o custo
da preservação ambiental, pois a ela se atribui o
desenvolvimento do produto e o destino final dos resíduos;
cuja área de deposição será computada
no percentual cabível a este setor. Os espaços até
então destinados a Parques Industriais pelos municípios
brasileiros, já não se traduzem em empregos ou fonte
de arrecadação, esta é a reflexão que
nos leva a rever a distribuição da terra no planejamento
urbano.
LIXO
NÃO INCÔMODO - 5 % - O
sítio reservado a resíduos classificados como de deposição
ecologicamente correta, deverá estar em constante avaliação
quanto a localização e duração, uma
vez que o afastamento deste sítio para áreas destinadas
a outras funções, será rigorosamente respeitado.
A classificação dos resíduos, bem como o término
do tempo de vida útil do aterro, será objeto de lei
específica, sendo observada a meta ambiental para a criação
e alocação do novo sítio.
COMÉRCIO
E SERVIÇOS - 10% - Hoje
os grandes shoppings e os conglomerados de negócios, estão
ocupando e impermeabilizando a superfície, gozando ainda
de prioridade nas vias e exclusividade absoluta dos serviços
de infra estrutura, pois atribuem-se a estes, uma tendência
para o desenvolvimento econômico. Para este setor caberá
uma fatia igualmente ao setor produtivo, pensando-se no equilíbrio
entre a produção e o consumo. Claro que caberá
também ao quinhão resolver o espaço de tratamento
dos seus resíduos, na qualidade de descartáveis ou
classificados como de difícil absorção pelo
meio ambiente; nunca mais transferindo o resíduo indestrutível
para a responsabilidade do poder público.
LAZER CULTURAL E TURISMO - 5 % - Qualquer
sítio destinado a esta importante função urbana
deverá ser visto como uma área em crescente aprimoramento
e modernização de seus equipamentos. Dada à
falta de formulas eficientes para se elaborar o percentual cabível
a esta modalidade, até em função da vocação
e tendência dos municípios brasileiros, deveremos ser
conscientes de que o percentual reservado na pizza será sempre
pequeno, adotando-se como meta cultural a reciclagem de todos os
espaços urbanos deficitários nas suas funções
tornando-os úteis para a cultura local, o lazer do cidadão
e construindo através deste setor a vocação
ao Turismo de negócios. Será tarefa assumida pelos
planejadores e controladores da ocupação urbana, negociar
incansavelmente o aumento gradativo de espaços destinados
a esta atividade como meta de desenvolvimento econômico e
social.
INSTITUCIONAL
- 5 % - Quer
nos parecer que os últimos congressos e comissões,
reunidas para discutirem as leis de uso e ocupação
do solo, bem como do parcelamento, deixaram de ser considerados
dois dos principais fatores de importância da vida humana
na terra. O lazer cultural e o institucional, complementares à
moradia e ao direito a propriedade que integram a dignidade de uma
nação. Das últimas resoluções
não deveremos desistir da missão de fomentar a difusão
do conhecimento em todos os meios de comunicação e
ainda acreditar no direito ao meio ambiente saudável, justo
e equilibrado para as futuras gerações.
DISTRIBUIÇÃO
E ENTENDIMENTO - Se
iniciarmos por esquartejar percentualmente a cidade como uma pizza,
poderemos entender melhor o planejamento urbano. Deveremos entender
a distribuição da terra, como responsabilidade de
todos.
RELAÇÃO
/ ATIVIDADE / DESENVOLVIMENTO X MORADIA -
Qualidade
de vida, só será alcançada com a participação
conjunta de todos os segmentos sociais e produtivos, isto será
possível com uma jornada de trabalho reduzida, melhora dos
equipamentos públicos, distribuição equilibrada
de alvarás de uso e exploração da terra, bem
como monitoramento contínuo da economia. O desenvolvimento
está para a atividade produtiva, assim com a vida urbana,
esta para o consumo. A qualidade dependerá sempre da harmonia
entre as funções da cidade, é impossível
desvincular a produtividade do personagem principal, o indivíduo,
que trabalha, que habita e que progride socialmente para o bem da
coletividade.
MEIO
AMBIENTE - 20 % - Estes
20% da terra merecem todo o respeito das autoridades e representantes
da sociedade. Este percentual será a garantia de toda a sobrevivência
do homem neste imenso condomínio, chamado cidade.
Qualidade de vida não poderá ser conseguida apenas
com o aumento dos impostos e obrigações e sim com
a participação no direito de uso da terra, com consciência
preservação do meio natural.
Portanto a industria deverá reduzir a ocupação
territorial, nos países em desenvolvimento assim como ocorre
nos países ricos, a tecnologia tomará o lugar da produção
suja que destrói a superfície onde a vida se processa.
O Brasil dispõe de uma biodiversidade rica e exuberante,
colocando a altura de negociações com qualquer mundo
industrializado, podendo optar pela ocupação industrial
e pelo desenvolvimento tecnológico, bastando para isso encontrar
nos nossos pesquisadores uma saída madura e vanguardista
para nosso meio ambiente. Deveremos quantificar nossas riquezas
e reservas ambientais, para sabermos mensurar o custo empenhado
perante o planeta na questão da manutenção
e preservação do nosso patrimônio ambiental
que é de interesse mundial.
AEROPORTO
- (3%)
(heliporto - Grandes equipamentos) - A este equipamento destina-se
a parcela de 3% que deverá ser extraída das parcelas
destinadas as atividades comerciais, industriais e do turismo. Enquanto
se planta a idéia de Vocação para Turismo de
Negócios, os projetos Federais e Estaduais vão a caminho
das privatizações no setor. Estrategicamente vão
sendo implantados os benefícios que representarão
encargos altíssimos para os cofres municipais e danos ambientais.
Contrair dívidas para implantação de grandes
equipamentos, é parte de uma avaliação abrangente
tanto da inserção contextual do município quanto
de sua localização geográfica, assim sendo
um diagnóstico seguro incrementará o planejamento
que deverá ser elaborado em função do futuro
da cidade, analisadas todas as suas potencialidades e vocação.
Grandes equipamentos produzem grandes impactos no meio ambiente,
a necessidade de qualquer investimento da envergadura de um aeroporto
ou pólo de intercâmbio multi-modal, deverá ser
discutida aos extremos, incluindo-se a possibilidade de intermediar
com mais municípios os encargos sociais e ambientais que
acarretarão tais instalações.
ÁREAS
RESERVADAS A DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E OUTRAS - Através
do
diagnóstico preliminar poderemos determinar a vocação
do município, reservando áreas estratégicas
para o desenvolvimento econômico, tecnológico e de
expansão comercial. Elevando a cidade a altura dos grandes
projetos brasileiros para com nossos vizinhos latinos americanos.
Estabelecer metas são desafios do planejamento de municípios
considerados centralizadores e estratégicos.
EDISON IVANOV arquiteto e urbanista / São
Paulo, 2005-03-21
"VOLTE
AO PLANO DIRETOR"
VOLTE
AO "MAGAZINE DA ARQUITETURA"
|